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PROTECÇÃO E PRODUÇÃO INTEGRADA
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A Protecção das plantas conheceu na década de quarenta um grande incremento com a aparição dos novos pesticidas organo-sintéticos. No entanto, devido aos problemas que estes evidenciaram relativamente à poluição, aos problemas do homem e animais, aos desequilíbrios ecológicos e às resistências aos pesticidas pelos inimigos das culturas, levaram a partir da década de cinquenta, a um movimento no sentido de atenuar todos aqueles inconvenientes, que se traduziu na adopção, pelos países mais evoluídos do ponto de vista agrícola, de orientações ao mínimo indispensável e da forma menos agressiva para o homem e ambiente, fomentando a limitação natural. Protecção e a Produção Integrada da Vinha exige um conhecimento mais completo possível, dos seus inimigos primários, sem deixar de estar atento a inimigos secundários, que por vezes assumem alguma importância. |
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Para se conhecerem os riscos de ataque desses inimigos tem que se proceder através da utilização de técnicas simples, práticas rigorosas, à estimativa do risco, que associado aos níveis económicas de ataque, ou outras relativas ao risco dos ataques, atinge-se a situação em que é necessário intervir. Nessa altura, impõe-se proceder cuidadosamente à selecção dos meios de protecção, recorrendo à luta química só em última alternativa, sendo esta dirigida, devendo privilegiar, os pesticidas menos tóxicos para o homem, para os auxiliares e para o ambiente. |
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| PROTECÇÃO E PRODUÇÃO INTEGRADA NA ADEGA COOPERATIVA DE FIGUEIRA DE CASTELO RODRIGO |
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Esta Associação tem como objectivo principal a contribuição para o equilíbrio dos Ecossistemas Agrários limitando ao máximo a aplicação de produtos fitofarmacêuticos nas parcelas por que é responsável.
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Na base deste projecto está a Adega Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo na componente vitícola e, da grande preocupação dos seus responsáveis com problemas Agro-ambientais.
Para além dos objectivos imediatos, a curto e a médio prazo, é nossa preocupação proporcionar uma assistência permanente, eficaz que faça fixar à Terra os agricultores e faça criar nas camadas jovens o gosto por uma agricultura moderna e rentável, sem prejuízo da qualidade de vida e degradação do ambiente, para além da formação e esclarecimento dos associados nos diferentes aspectos inerentes à prática da protecção e produção Integrada, enriquecendo a sua forma de pensar, estar na agricultura e proteger a terra, pensando nos vindouros. |
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Estratégia de formação para técnicos e Agricultores |
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A prática da Protecção integrada exige uma formação adequada dos técnicos envolvidos, a fim de evitar a prática, ainda tão fundamentalmente dos viticultores envolvidos, ainda tão corrente em Portugal, de esquemas rígidos de tratamentos, sem nenhuma preocupação sobre o que, de facto, se está a passar na vinha que justifique tais intervenções, muitas das vezes realizadas com total ignorância dos efeitos destruidores, dos tantos pesticidas utilizados, sobre as populações dos principais inimigos da cultura sem conta, peso e medida.
No primeiro ano de adesão terá de ser ministrado um curso de formação em Protecção Integrada aos Agricultores, o qual terá uma duração mínima de 48 horas.
Em relação à formação dos Técnicos, esta consiste na realização de curso de formação em Protecção Integrada, tendo uma componente teórica e outra prática. Na componente teórica, com uma duração de 35 horas, são transmitidos os conhecimentos mais recentes sobre as doenças e pragas na Vinha, métodos de estimativa de risco, meios de luta e avaliação da eficiência dos meios de protecção. Em relação à componente prática fazem parte dois aspectos: observação directa das vinhas em quatro ocasiões, seguidas de debate dos resultados obtidos para fundamentar a tomada de decisão a adoptar nessas vinhas para combate dos seus inimigos naturais e observação semanal de uma vinha por parte do formando.
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Visita aos agricultores |
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A todos os agricultores que adiram à Protecção Integrada, serão feitas no mínimo duas visitas anuais. Nas parcelas em que se efectue o controlo das pragas, doenças e infestantes, será feita uma visita, no mínimo quinzenal a partir do abrolhamento. Serão feitas visitas pontuais sempre que sejam solicitadas pelos associados e sempre que a oportunidade o justifique. Durante a poda e algumas intervenções de Inverno, também poderão ser feitas algumas visitas.
Igualmente serão efectuadas reuniões semanais ou quinzenais, consoante a necessidade e a época, tendo em vista a comunicação dos dados recolhidos pelos técnicos e pela estação meteorológica, alertando os associados para eventuais riscos de ataque de doenças e subsequente intervenção.
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Postos de observação biológica |
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Estes postos irão ser localizados em parcelas representativas dos vários tipos de parcelas que existam.
As visitas serão efectuadas durante um dia da semana, sendo escolhida uma zona por semana. É de salientar que a nossa zona Vitícola é composta por 5 zonas distintas:
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• POVOS DE BAIXO |
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- Freixeda do Torrão
- Vale de Afonsinho
- Penha de Águia
- Vilar de Amargo
- Algodres
- Quinta de Pêro Martins
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• CASTELO RODRIGO |
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- Figueira de Castelo Rodrigo
- Castelo Rodrigo
- Nave Redonda
- Mata de Lobos
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• CONCELHO DE ALMEIDA |
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- Almeida
- Malpartida
- Miuzela
- Nave de Haver
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• ZONA I |
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- Vermiosa
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Escarigo
- Almofala
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• ZONA II |
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- Reigada
- Cinco Vilas
- Vilar Torpim
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Princípios de Produção Integrada em Viticultura |
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| 1) Promover uma viticultura que respeite o ambiente e que seja economicamente viável. |
| 2) Assegurar a produção de uvas sãs e a obtenção de produtos vitícolas de alta qualidade, reduzindo ao máximo o teor de resíduos que possam ser nocivos à saúde do Homem. |
| 3) Diminuir os riscos a que são expostos os agentes da produção durante a manipulação de factores perigosos para a saúde humana. |
| 4) Fomentar e manter grande diversidade biológica no ecossistema vitícola e na sua vizinhança. |
| 5) Utilizar prioritariamente os recursos e mecanismos de regulação natural e os métodos biológicos e bio técnicos. |
| 6) Conservar a integridade do solo a longo prazo. |
7) Minimizar a poluição da água, do solo, do ar e dos biótipos, optimizando a utilização dos factores de produção.
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Na plantação da vinha deve-se proceder à selecção de castas, clones e porta-enxertos, de acordo com os regulamentos em vigor nas várias regiões vitivinícolas e adaptada às exigências edáfo-climáticas, privilegiando, sempre que possível, os objectivos da produção integrada (biodiversidade, menor sensibilidade às doenças e material vegetal são e certificado).
Quanto aos sistemas de condução a utilizar devem ser privilegiados os sistemas que possibilitem mais facilmente a adopção de técnicas culturais, favorecendo: |
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. A produção de uvas de qualidade;
· A longevidade das cepas;
· A diversidade biológica (botânica e zoológica);
· A protecção do solo contra a erosão;
· A melhor aplicação dos pesticidas. |
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Na preparação do solo antes da plantação, deve-se proceder a uma análise do solo completa (física e química) e sistemática. Deve-se ainda fazer a eliminação das fontes de inoculo de doenças e de infestantes difíceis de combater. É recomendado o repouso adequado do solo antes da plantação.
A nutrição da vinha faz-se em função do conhecimento da absorção desta em elementos nutritivos e reservas do solo. As análises feitas ao solo devem ser periódicas e complementadas todos os anos, por análises que evidenciem melhor as necessidades nutritivas da planta. Deve-se dar especial atenção no que se refere à nutrição da vinha à limitação indispensável das adubações azotadas e fosfatadas, encorajando a utilização de estrumes.
Nas intervenções em verde é necessário privilegiar a adopção de medidas profiláticas, como a eliminação de cepas doentes. Um bom equilíbrio entre a carga e a área foliar exposta deve ser alcançado através de intervenções directas e adequadas.
Com vista ao fenómeno da diversidade biológica e defesa do solo contra a erosão, compactamente e lavagem dos elementos nutritivos. É necessário manter o solo coberto de vegetação natural durante o Inverno até à rebentação e em todas as outras situações, quando possível, adoptar os métodos que favoreçam tal objectivo.
Quanto à utilização de herbicidas, de um modo geral, é proibido utilizar herbicidas residuais, em toda a área de vinha, excepto em casos especiais (terraços tradicionais, culturas baixas e estreitas).
As intervenções com herbicidas de pós-emergência são permitidas, mas devem ser integradas na boa gestão do solo.
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| Caracterização edáfo-climáticas da região |
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Área vitícola de Castelo Rodrigo situada entre os rios Côa e Águeda, abrange todo o concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, com excepção da freguesia de Escalhão; abrange também todo o concelho de Almeida.
Orograficamente o concelho situa-se na parte setentrional da Meseta Ibérica, que se estende a Leste do rio Côa. Esta planície é litológicamente heterogénea e apresenta na área do concelho uma ligeira inclinação para Noroeste: Vermiosa encontra-se a 650 m de altitude, enquanto Algodres, que fica a 20 km para Noroeste, está a 515 m, sendo o declive médio na ordem de 0,7%.
A planície é interrompida, bruscamente pelos vales profundos dos rios Douro Águeda e da ribeira de Tourões.
Destaca-se na planície, o relevo da serra da Marofa que atinge 976 m, a serra de Vieira com 879 m, e a longa cumeada que para SSW destes cabeços se prolonga até ao vértice São Marcos com 855 m. Para Leste do cabeço da Marofa, o ramo meridional da serra desaparece, enquanto o ramo setentrional se prolonga até à fronteira, formando os relevos de Castelo Rodrigo ( 821 m ), da Nave Redonda ( 778 m ) e da Caldeireira ( 714 m ).
A elevada altitude média desta área planáltica determina situações meteorológicas directamente relacionadas com a variação térmica e pluviométrica. O afastamento do litoral, privando a área dos efeitos moderados do oceano, influência de forma decisiva os regimes térmicos, extremando as amplitudes de variação térmica: maior arrefecimento no Inverno e elevadas temperaturas estivais. A proximidade das terras quentes do interior de Espanha e o grande afastamento do Atlântico impõem a maior secura da região onde a zona vitícola de Castelo Rodrigo se insere.
A menor influência das massas de ar húmidas de trajecto marítimo impede a ocorrência (mesmo no Inverno), de pluviosidade de intensidade comparável à de áreas de menor continentalidade. Deste modo o período estival (onde os efeitos dos ventos quentes de levante se fazem sentir com maior frequência) é caracterizado, não só por elevadas temperaturas médias, mas também por um período seco bem demarcado. Assim os Verões são sempre quentes (sendo frequentes dias com registos superiores a 30ºC) e secos, e Invernos rigorosos (com temperaturas negativas) apresentando duas estações no ano com grandes amplitudes térmicas, característicos de climas de feição continentais.
Quanto aos solos esta região encontra-se dividida em duas zonas bem distintas: |
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• Solos de origem xistosa;
• Solos de origem granítica:
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A Norte estende-se uma mancha do Complexo xisto-grauváquico ante-ordovícico, representado por xistos e graváques metamórficas e migmatíticas. O vale do rio Douro está encaixado nesta unidade, que continua a Norte.
Para o Sul, segue-se uma faixa granítica, que é constituída, predominantemente por granitos de grão médio a fino, não porfiróides.
O referido granito contacta para Sul com uma mancha constituída pelo Complexo xisto-grauváquico.
No Sudoeste do concelho, encontram-se áreas constituídas por granitos. |
O Sul do concelho estende-se por uma parte do maciço granítico de Almeida-Malpartida, cujos granitos se apresentam, geralmente, com grão grosseiro e porfiróides.
A volta da serra da Marofa, uma área considerável está coberta por um manto de cascalheiras, areias e argilas.
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| A CULTURA DA VINHA |
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Importância da cultura na região |
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A viticultura faz parte da nossa cultura, tradição, costumes de forma relevante e grande significado. Portugal é um país com excelentes potencialidades vinícolas, por isso não é de estranhar que o sector vitivinícola tenha grande importância na economia nacional, dependendo deste sector cerca de 1,2 milhões de pessoas, trabalhando na vinha 9 % da população activa e 20 % da mão de obra agrícola.
A produção anual chega atingir 10 a 11 milhões de hectolitros de vinho, contribuindo o sector vitícola com cerca de 20 % para o produto agrícola útil. Esta região é fortemente marcada pela cultura da vinha, obtendo-se V.Q.P.R.D.'s, vinhos regionais e de mesa, com grande importância económico-social para a região e para o país.
A cultura da vinha neste Planalto Beirão é sem dúvida alguma, a mais importante, quer pela sua qualidade, quer pela sua valorização e praticamente a única fonte de rendimento. Este sector apresenta boas perspectivas futuras quer a nível qualitativo, quer a nível de competição mundial.
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A Adega Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo conta neste momento com mais ou menos 80 sócios que estão a fazer Protecção Integrada desde 2001, entrando todos os anos novos sócios, e procurando mentalizar cada vez mais os benefícios desta prática. |
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